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Violência Sexual
10/05/2005 , 09:28 hs
Mitos, principais características,dados estatísticos, fases do abuso sexual, características: família, da vítima, do agressor, etc
Mito 1
A maioria das pessoas acreditam que as crianças possuem imaginação fértil e que quando se queixam de estarem sendo vítimas de abuso sexual estão simplesmente fantasiando uma história
Verdade 1
AZEVEDO e GUERRA (2000), citando MCGRAW (1987), revela que só 8% das crianças costumam faltar com a verdade quando o assunto é vitimização sexual. Segundo o autor ¾ das histórias inventadas pelas crianças são induzidas por adultos.
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Mito 2
No imaginário popular acredita-se que o abusador sexual é um psicopata, um tarado que todos reconhecem na rua. Os pais muitas vezes só se preocupam em alertar os filhos sobre o cuidado com pessoas estranhas.
Verdade 2
No entanto, segundo ALLENDER(1999) a maioria dos abusos ocorre entre os membros da família (29%) ou por alguém conhecido da vítima (60%). AZEVEDO e GUERRA (2000) afirmam que 85 – 90% dos agressores são pessoas conhecidas das crianças. Não queremos, entretanto, dizer que esses avisos não sejam importantes, são sim! Porém é necessário alertar nossas crianças para a realidade de que o perigo pode também vir da parte de quem está perto. Não basta preveni-las somente sobre as pessoas estranhas.
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Mito 3
Os pais acreditam que a vitimização sexual de crianças é algo raro e que tal coisa jamais acontecerá com seus próprios filh0
Verdade 3
Segundo AZEVEDO e GUERRA (2000) pesquisas recentes revelam que 1 em 3 a 4 meninas e 1 em 6 a 10 meninos serão vítimas de abuso sexual até a idade de 18 anos
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Mito 4
O tempo cura todos os males e a criança vitimizada sexualmente esquecerá a experiência se ninguém ficar relembrando o assunto.
Verdade 4
A criança nunca esquecerá um abuso sexual do qual foi vítima.
Segundo KORNFIELD (2000):
“ Quando uma criança sofre um choque emocional doloroso, ao qual não tem condições de agüentar, ela pode reagir reprimindo em nível psíquico, jogando para o porão de sua memória, “escondendo” a dor. É um mecanismo de defesa efetivo, que protege a criança para que possa sobreviver a experiência. A dor e as lembranças, portanto, não desaparecem. Ainda estão lá, guardadas no inconsciente da vítima....As vezes, como citamos anteriormente, há uma amnésia total. No entanto, o abuso ainda vive no plano inconsciente. Mesmo inconscientemente, o peso esmagador dessa dor atrapalha a vida, gerando depressão, desejo de suicídio, reações desproporcionais à situações normais da vida, e muitas vezes uma inabilidade de participar integralmente da vida.”
Os pais, cujos filhos foram vitimizados sexualmente, devem sempre buscar ajuda para os mesmos. Esconder um caso de abuso sexual debaixo do tapete pode custar muito caro à saúde emocional da criança e de sua família.
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Mito 5
Quando a criança permite os avanços sexuais do agressor sem esboçar uma resistência, na realidade não existe abuso sexual.
Verdade 5
Na realidade a criança nunca deve ser vista como culpada. O agressor para executar o abuso sexual pode recorrer a diferentes métodos. Entretanto, quer seja usada a força, ameaça ou indução da vontade, sempre existirá nessa relação uma desigualdade de poder, onde o adulto leva vantagem sobre a vítima que ainda não possui estrutura física e emocional suficiente para se defender de um ataque dessa natureza.
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PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO INCESTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
- Abuso de poder:
No incesto o mais forte domina o mais fraco. O agressor tem maior capacidade física, social, psicológica e legal em relação a criança vitimizada e pratica o crime de forma irresponsável, usando o poder que possui visando tão somente satisfazer seus desejos e aliviar suas tensões.
- Traição da confiança:
O agressor é uma pessoa conhecida da criança. Pode ser parente ou amigo (incesto polimorfo) da família. Existe um elo de confiança e responsabilidade entre a vítima e a pessoa do abusador. Quando o incesto é praticado esse vínculo se rompe, fazendo com que o sentimento de menos valia e traição venham a tona e contaminem a relação.
- Presença da violência psicológica:
Quer seja a violência sexual praticada com abuso da força física, ameaça ou indução da vontade, ela sempre estará revestida de abuso psicológico.
- Imposição do sigilo da vítima
- O nível sócio-econômico entre a vítima e seu abusador geralmente é o mesmo
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DADOS ESTATISTICOS
- Segundo LANGBERG (2002) a idade em que o abuso sexual se inicia geralmente é entre os seis e doze anos.
- AZEVEDO e GUERRA (2000) falam que a idade em que o abuso é mais freqüente varia dos 8 – 12 anos.
- De acordo com DIMENSTEIN (1996), o Brasil ocupa o primeiro lugar na América do Sul na exploração sexual de crianças e adolescentes e a segunda posição no mundo, ficando apenas atrás da Tailândia. Ainda segundo o mesmo autor, pelo menos 80% das crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual comercial foram vítimas de incesto.
- Segundo o Laboratório de Estudos da Criança (Lacri) da Universidade de São Paulo, uma em cada três a quatro meninas e um em cada seis a dez meninos serão vítimas de alguma modalidade de abuso sexual até completarem dezoito anos.
- De acordo com AZEVEDO e GUERRA (2000), em mais de 1/3 das notificações de abuso sexual, as vítimas estão dentro da faixa etária de 5 anos ou menos.
- MARSHALL (1990) afirma que a maioria dos abusadores sexuais incestuosos pertencem a famílias desajustadas. 20% a 35% desses agressores foram abusados sexualmente quando criança e 50% deles foram vítimas de maus-tratos físicos (50%) combinado com abuso psicológico. Ainda segundo o autor 35% das famílias incestogênicas abusam de álcool, sendo o abandono e rejeição fatores presentes nas relações familiares.
- A maioria dos abusadores sexuais são do sexo masculino e suas vítimas do sexo feminino.
- A modalidade de incesto mais frequente é o ocorrido entre pai e filha.
- Segundo AZEVEDO e GUERRA (2000) os agressores sexuais de crianças e adolescentes que sofrem disturbios psiquiátricos são uma minoria.
- Segundo análise feita em 1.169 casos de violência doméstica atendidos no SOS Criança da ABRAPIA, entre janeiro de 1998 e junho de 1999, foram diagnosticados: 65% de violência física, 51% de violência psicológica, 49% de casos de negligência e 13% de abuso sexual. Em 93,5% dos casos os agressores eram parentes da vítima (52% - mãe, 27% - pai, 8% -padrasto/madrasta, 13% - outros parentes) e em 6,5% os abusadores não são parentes (3% - vizinhos, 2% - babás e outros responsáveis, 1,5% - instituições.
Dos 13% de casos envolvendo abuso sexual a pesquisa demonstrou que:
a) A idade da vítima: 2 a 5 anos - 49%, 6 a 10 anos - 33%
b) 80% das vítimas tinham sexo feminino
c) 90% dos agressores eram do sexo masculino
- Segundo o Sistema Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto Juvenil durante o período de 05 de fevereiro de 1997 a 28 de fevereiro de 2003, foram feitas 5.070 denúncias onde ficou diagnosticado que:
a)60 % das denúncias ocorreram nos anos 2000, 2001 e 2002, 36 % das denúncias ocorreram em 2002 e 15 % das denúncias ocorreram em janeiro e fevereiro de 2003.
b)No ano 2002, 63% dos casos denunciados foram de abuso sexual e 37% de exploração sexual comercial. Dos 63% de casos de abuso sexual, 60% foram de abuso intrafamiliar e 40% extrafamiliar
c)Ficou ainda constatado que a vítima é do sexo feminino em 76% dos casos e 37% tem menos que 11 anos
Coordenação
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